Criando uma política compassiva
A política deve permitir que todos se unam para compartilhar e resolver problemas coletivos e, por meio disso, melhorar continuamente o bem-estar da sociedade.
Para isso, a política precisa ser empoderadora e inclusiva: precisa garantir que os votos e as opiniões importem, que os grupos tradicionalmente marginalizados sejam ativamente incluídos e que os espaços de tomada de decisão sejam respeitosos.
Direitos
Precisamos criar espaços políticos que respeitem e incentivem uma multiplicidade de vozes, especialmente aquelas que tradicionalmente foram excluídas ou desencorajadas.
Isso exige que todos tenham o direito de votar e de fazê-lo de forma livre e justa. Sempre que possível, os grupos tradicionalmente marginalizados devem contar com sistemas que garantam que suas opiniões sejam representadas e ouvidas de forma mais proativa no sistema político.


Inclusão
Os parlamentos devem ser pioneiros na criação de instalações e políticas que incentivem a participação de pessoas de diferentes origens e com as mais diversas experiências possíveis. Isso pode significar garantir a existência de políticas de acessibilidade – como licença para cuidadores, por exemplo – e a possibilidade de trabalho flexível. Os parlamentos também devem agendar debates de forma a garantir a participação de todos e disponibilizar instalações como creches no local para apoiar os novos pais.
Debate construtivo
A política deveria ser sobre união para resolver problemas comuns, não um exercício de derrota, intimidação ou humilhação. Quando a política se comporta dessa maneira, todos perdemos.
Em primeiro lugar, é necessário garantir que os debates ocorram em um ambiente construtivo e respeitoso. Vaias, assobios e gritos devem ser fortemente desencorajados, e os políticos devem ser recompensados por fazerem suas intervenções sobre questões, e não sobre personalidades. Sistemas de "disciplina de voto" (em que os políticos são instruídos por seus líderes sobre como votar) devem ser usados com parcimônia e nunca devem permitir que membros do parlamento sejam intimidados ou chantageados a votar contra sua consciência. As votações também devem ser anônimas, com os resultados publicados somente depois – isso impede que os parlamentares sejam pressionados ou coagidos a votar de uma determinada maneira.


Envolvimento cidadão
Precisamos incentivar uma transformação no engajamento cívico na política. A política não deve ser algo imposto às pessoas, mas sim algo feito por elas. Devemos explorar oportunidades para dar voz ao público no debate político. Isso poderia ser feito, por exemplo, por meio da criação de assembleias de base, do uso de ferramentas online para coletar a opinião pública antes de um debate importante, da descentralização do poder para as localidades e da criação de painéis individuais de "experiência vivida" para desenvolver e comentar as leis propostas.
Pluralidade
Os sistemas de votação também podem desempenhar um papel importante na determinação do grau de competitividade de um sistema político. Os sistemas pluralistas e proporcionais ajudam a garantir que uma multiplicidade de pontos de vista e partidos sejam representados, evitando que as eleições se tornem uma "disputa acirrada" entre apenas duas ideologias. No entanto, mesmo em sistemas pluralistas, regras ainda são necessárias para assegurar uma governança estável.


Aliviando o sofrimento
Para que a política se oriente para o alívio do sofrimento e a melhoria contínua do bem-estar público, é necessário que esses princípios sejam colocados no centro dos processos e estruturas parlamentares.
Uma das melhores maneiras de fazer isso é por meio da legislação de direitos humanos. Essas leis oferecem proteções importantes ao público, além de orientar os tomadores de decisão, garantindo que suas decisões sejam orientadas para resultados humanitários.
